domingo, 6 de abril de 2014

Uso do computador na educação: algumas considerações

           A popularização do computador no Brasil gerou uma inquietação nas escolas brasileiras e, no início dos anos 80, com a influência da Política de Informática Educativa (PIE), o computador foi motivo de discussões sobre seu possível uso na educação. Para Valente (1997) a Informática na Educação significa a inserção do computador no processo de aprendizagem dos conteúdos curriculares de todos os níveis e modalidades de ensino. O professor tem a possibilidade de envolver-se com diferentes disciplinas, tornando o ensino cooperativo e interdisciplinar, mas para isso é necessário que o professor conheça os recursos oferecidos pelas tecnologias, descobrindo o potencial que elas oferecem para transformar o ensino. 
     O reconhecimento de uma sociedade cada vez mais tecnológica deve ser acompanhado da conscientização da necessidade de incluir nos currículos escolares as habilidades e competências para lidar com as novas tecnologias. No contexto de uma sociedade do conhecimento, a educação exige uma abordagem diferente em que o componente tecnológico não pode ser ignorado.
           Para Schulünzen (2000) o computador deverá ser antes de tudo, um instrumento que permite ampliar o trabalho de ensino para as dimensões afetivas e valorativas. A inserção do computador na escola permite aos alunos o fácil e rápido acesso a recursos que colaboram para explicitar seus pensamentos, mas para que os benefícios que a tecnologia tem ocorram de fato é fundamental a postura do professor como mediador da construção do conhecimento.
       Existem diversos recursos que podem auxiliar o professor em uma aula diferenciada utilizando as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC's). O Banco Internacional de Objetos Educacionais (BIOE) é um repositório educacional criado pelo Ministério da Educação (MEC), que tem como objetivo disponibilizar Objetos Educacionais (OE) para auxiliar e aprimorar o processo de ensino-aprendizagem. No BIOE os professores têm acesso a diversos softwares que podem auxiliar as aulas ministradas. Além desse repositório outros sites como a TV escola apresentam ferramentas que podem ser utilizadas com os estudantes. 
        As aulas utilizando OEs ou outros recursos tecnológicos se tornam mais atrativas e podem contribuir no processo de ensino-aprendizagem dos alunos. As novas tecnologias são de extrema importância também, no processo de inclusão de Estudantes Público-Alvo da Educação Especial (EPAEE). Conforme Schulünzen e Junior (2005) as TIC são recursos que permitem a comunicação das pessoas com deficiência com a sociedade, a produção individual e coletiva, favorecendo o processo avaliativo e de diagnóstico, uma vez que essas pessoas, apesar de suas dificuldades, podem ter seu cognitivo preservado.
       As TIC podem constituir um recurso fundamental para possibilitar, por meio da inclusão digital, o acesso de pessoas com deficiência à escola, uma vez que permitem uma melhor comunicação, desenvolvimento cognitivo e construção do conhecimento. Porém, é preciso salientar novamente a importância do preparo dos profissionais, para que sejam aproveitados todos os recursos e ferramentas que as TIC's oferecem.

Referências:

SCHULÜZEN, E. T. M. Mudanças nas Práticas Pedagógicas do Professor: Criando um Ambiente Construcionista, Contextualizado e Significativo para Crianças com Necessidades Especiais Físicas. 2000. 212 f. Dissertação (Doutorado em Educação) – Pontifícia Universidade Católica , São Paulo , 2000.
SCHULÜZEN, E. T. M.; JUNIOR, K. S. Tecnologias, desenvolvimento de projetos e inclusão de pessoas com deficiência. Revista da Educação Especial/ Secretaria da Educação Especial. v.1, n. 1. 2005. <http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/revistainclusao2.pdf>. Acesso em: 8 fevereiro 2014.
VALENTE, J.A. Informática na Educação: Instrucionismo x Construcionismo. Manuscrito não publicado, Núcleo de Informática Aplicada à Educação -Nied - Universidade Estadual de Campinas, 1997.

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